Por: Wellinton Molinetti, Founder e docente PPG Educação
A produção avícola brasileira é reconhecida mundialmente pela eficiência, escala e elevado padrão sanitário. Dentro desse contexto, a produção de peru de corte passa por um momento de transformação importante, marcado pela retomada de investimentos, pela modernização dos sistemas produtivos e pelo fortalecimento das práticas de biosseguridade.
Essa nova fase representa não apenas uma evolução técnica, mas também uma oportunidade estratégica para produtores, agroindústrias e médicos-veterinários que atuam — ou desejam atuar — nesse segmento.
O cenário atual da produção de peru
Ao longo dos últimos anos, a cadeia produtiva do peru passou por ajustes estruturais relevantes. Após um período de retração, impulsionado por mudanças no mercado internacional, o setor iniciou um processo de reorganização baseado em tecnologia, eficiência produtiva e segurança sanitária.
Hoje, o foco está na construção de sistemas mais robustos, capazes de atender às exigências do mercado interno e externo, garantindo qualidade do produto final, bem-estar animal e sustentabilidade da produção.
Sistema de produção: semelhanças com o frango, mas com particularidades
Embora compartilhe algumas características com a produção de frangos de corte, o sistema de criação de perus exige adequações específicas, principalmente devido ao comportamento, à anatomia e ao maior tempo de ciclo produtivo dessas aves.
A produção ocorre de forma verticalizada, no modelo de integração entre agroindústria e produtor, e é dividida em duas fases fundamentais:
🔹 Fase iniciadora
- Alojamento logo após a eclosão
- Controle rigoroso de temperatura, ventilação e qualidade do ar
- Reforço intenso das práticas de biosseguridade
- Permanência média de aproximadamente 30 dias
🔹 Fase terminadora
- Transferência das aves quando atingem cerca de 800 g a 1 kg
- Permanência variável conforme sexo e mercado de destino
- Ciclos produtivos que podem ultrapassar 140 dias
Essa divisão é essencial para garantir eficiência produtiva, bem-estar animal e controle sanitário ao longo de todo o processo.
Estrutura dos aviários: tecnologia a serviço da eficiência
Os sistemas modernos de produção de perus demandam alto nível de tecnificação. Os aviários são projetados com foco em ambiência controlada e biosseguridade, geralmente operando em sistema de pressão negativa.
Entre os principais recursos adotados estão:
- Controladores automáticos de ambiente
- Sistemas de ventilação e exaustão
- Placas evaporativas e sistemas de nebulização
- Controle rigoroso de acesso de pessoas e veículos
Essas medidas impactam diretamente a segurança alimentar, o bem-estar das aves e a estabilidade dos índices produtivos.
Desempenho zootécnico e manejo
Os indicadores zootécnicos da produção de perus apresentam desempenho robusto quando o manejo é ajustado às particularidades da espécie.
Aspectos como:
- Ganho de peso diário elevado
- Conversão alimentar eficiente
- Taxas controladas de mortalidade
dependem diretamente do equilíbrio entre nutrição, ambiência, densidade de alojamento, disponibilidade de comedouros e bebedouros e programas de iluminação adequados.
Além disso, o manejo deve considerar as diferenças entre machos e fêmeas, que apresentam tempos de permanência e pesos de abate distintos, exigindo decisões técnicas precisas ao longo do ciclo produtivo.
Sanidade: um dos maiores desafios da cadeia
A sanidade é um ponto crítico na produção de perus de corte. O ciclo produtivo mais longo torna essas aves mais suscetíveis a desafios sanitários, especialmente doenças respiratórias e enfermidades bacterianas.
Por isso, a gestão sanitária precisa ser contínua e integrada, envolvendo:
- Programas vacinais bem estruturados
- Monitoramento frequente dos lotes
- Ajustes constantes de ambiência
- Avaliação sanitária ao longo de toda a cadeia
A prevenção é o principal pilar para manter a produtividade e evitar perdas econômicas significativas.
Perspectivas para o futuro da produção de perus
A nova era da produção de peru de corte no Brasil está diretamente ligada à profissionalização do manejo, ao uso de tecnologia e à valorização da atuação técnica do médico-veterinário.
Com investimentos adequados e gestão eficiente, o setor tem grande potencial para:
- Melhorar o desempenho produtivo
- Elevar os padrões de bem-estar animal
- Atender mercados mais exigentes
- Reforçar a competitividade da avicultura brasileira
Nesse cenário, o conhecimento técnico atualizado e a capacidade de tomada de decisão baseada em dados se tornam diferenciais cada vez mais importantes para os profissionais da área.
