Quando um tutor escolhe uma ração natural para o seu pet, ele enxerga o rótulo — os ingredientes, as frutas, a ausência de aditivos artificiais. O que ele raramente vê é tudo que aconteceu antes disso chegar à prateleira. E é exatamente aí que está o verdadeiro desafio da indústria.
Natural: conceito de mercado ou definição técnica?
Essa é uma das primeiras perguntas que qualquer profissional de P&D precisa responder antes de desenvolver um produto. E a resposta é mais complexa do que parece. No Brasil, o Ministério da Agricultura regula composição, segurança, rotulagem e registro — mas não define “natural” como uma categoria oficial. O que existe são alegações que precisam ser tecnicamente sustentadas e absolutamente verdadeiras, como determina o Ofício Circular 7, publicado em 2025.
Na prática, isso significa que cada empresa constrói o seu próprio conceito de natural — e tem a responsabilidade de sustentá-lo com ciência, rastreabilidade e transparência. Não é pouco.
O desenvolvimento que começa fora do laboratório
Um dos maiores equívocos sobre o desenvolvimento de produtos naturais é achar que ele começa na bancada. Na realidade, ele começa muito antes — no consumidor. Entender o que o tutor brasileiro define como natural, quais são suas expectativas, onde ele confunde natural com sustentável ou com transgênico, é o ponto de partida de qualquer projeto sério.
Só depois disso a equipe técnica entra em cena — e aí o processo se torna multidisciplinar de verdade. Desenvolvimento de produto, embalagem, regulatório, compras, engenharia de processos, qualidade e marketing precisam caminhar juntos e simultaneamente. É um quebra-cabeça multidimensional, onde todas as peças estão em movimento ao mesmo tempo.
Os desafios técnicos que o rótulo não mostra
Ingredientes naturais como frutas, vegetais e carnes frescas trazem consigo desafios que ingredientes convencionais não têm. Sazonalidade, variabilidade de fornecimento, padronização em escala industrial e qualificação de fornecedores são etapas críticas que precisam ser resolvidas antes mesmo do primeiro teste industrial.
A estabilidade do produto é outro ponto que exige atenção redobrada. Antioxidantes naturais têm eficiência diferente dos sintéticos e precisam ser usados em doses maiores para garantir que o produto seja seguro e nutritivo até o último dia de validade. Vitaminas se degradam. Umidade varia. Um produto natural que não passa no shelf life não é um produto — é um problema.
E tem ainda o desafio da palatabilidade. Gatos, por exemplo, são carnívoros estritos e não percebem o dulçor das frutas. Incluir vegetais e superfoods em uma fórmula felina e garantir que o animal aceite e consuma o produto com regularidade exige um trabalho técnico minucioso. No fim, quem dá o veredito é o pet.
Natural vai além do produto
Uma das grandes evoluções no setor é entender que o conceito natural não termina na fórmula. A embalagem, os processos produtivos, a rastreabilidade dos ingredientes e os projetos ambientais fazem parte da mesma filosofia.
A Bionatural Prime, linha Super Premium Natural da Special Dog Company, é um exemplo concreto disso. As embalagens são 100% monomaterial e recicláveis — um projeto que, segundo a própria equipe de P&D, foi mais desafiador do que o desenvolvimento do produto em si. A empresa também é a primeira fabricante brasileira de alimentos para pets certificada pelo Instituto Lixo Zero Brasil, reutiliza mais de 80 milhões de litros de água da chuva por ano e utiliza 100% de ovos cage-free em suas formulações.
Natural, nesse contexto, deixa de ser uma característica do produto e passa a ser uma filosofia de desenvolvimento.
O futuro do pet food
O movimento em direção ao natural é irreversível. O tutor moderno é mais informado, mais exigente e mais conectado — e o que ele busca para si, ele quer para o pet também. Mas o futuro do setor não é só mais natural. É mais transparente, mais rastreável e mais científico.
As empresas que já constroem essa jornada com consistência — investindo em pesquisa, em sustentabilidade e em honestidade técnica — são as que vão se destacar num mercado cada vez mais exigente.
Ouça o episódio #47 do Pet Food Podcast com a Me. Mariana Monti, Gerente de P&D da Special Dog Company, e descubra os bastidores de quem formula pet food natural de verdade.
