Com o avanço da suinocultura brasileira, surge também a necessidade de pensar a produção de forma mais inteligente, limpa e estratégica. 

Mais do que um problema ambiental, os dejetos suínos podem se tornar fonte de renda, energia e fertilização. Mas como isso é possível? E quais tecnologias já estão disponíveis?

Oportunidades no cenário da produção suína

O crescimento da população mundial e a demanda crescente por proteína animal colocam o Brasil em posição de destaque: somos responsáveis por 24% da carne bovina e 11% da carne suína exportadas globalmente. Só a Região Sul do país responde por 70% da produção suína nacional.

Esse protagonismo exige responsabilidade ambiental, especialmente no tratamento dos resíduos gerados.

Dejetos: vilões ou aliados?

Ricos em nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), os dejetos suínos são aplicados com frequência no solo. No entanto, o excesso pode saturar o solo, gerando:

     

      • Poluição de águas superficiais e subterrâneas;

      • Eutrofização (proliferação de algas e morte de peixes);

      • Emissão de gases de efeito estufa (como metano e amônia);

      • Riscos sanitários com a presença de patógenos.

    É nesse ponto que a gestão eficiente se torna fundamental.

    Soluções tecnológicas sustentáveis

    1. Biodigestores (Digestão Anaeróbia)

    Transformam o dejeto em biogás e biofertilizante. Os principais tipos são:

       

        • BLC (Lagoa Coberta): Simples e barato;

        • CSTR: Suporta sólidos e permite controle de temperatura;

        • WASB: Opera apenas com líquidos.

      ❗ Limitação: não há remoção de nutrientes; exige planejamento para uso do biofertilizante.

      2. Compostagem

      Ideal para propriedades com menor escala. A compostagem:

         

          • Gera fertilizante sólido;

          • Elimina patógenos pelas altas temperaturas.

        ❗ Demanda espaço e controle do processo (inclusive da liberação de amônia).

        3. Separação Sólido-Líquido

        Reduz o volume total e permite melhor gestão:

           

            • Parte líquida pode ser aplicada diretamente no solo;

            • Parte sólida, rica em fósforo, pode ser transportada e usada em outras regiões.

          Economia circular na prática

          O aproveitamento dos dejetos pode gerar diversos coprodutos:

             

              • Biofertilizantes;

              • Energia via biogás;

              • Alimentação animal, como rações com fósforo recuperado.

            💡 Um exemplo de sucesso: fosfato de cálcio recuperado dos dejetos com eficiência de 93 a 94% como suplemento.

            Produção familiar e realidades locais

            Pequenos produtores devem priorizar soluções acessíveis, como a compostagem, adaptadas às suas realidades financeiras e estruturais.

            Além disso, é fundamental conhecer a legislação ambiental local: normas variam entre estados e municípios, especialmente quanto à aplicação de resíduos em solos agrícolas.

            Considerações finais

            A principal lição da aula é clara: precisamos mudar nossa visão sobre os dejetos suínos. De passivo ambiental, eles podem se tornar ativos econômicos.

            Quando tratados com responsabilidade e técnica, os resíduos da suinocultura:

               

                • Reduzem impactos ambientais;

                • Aumentam a rentabilidade das propriedades;

                • Contribuem para um sistema mais sustentável e eficiente.


              Este conteúdo é um resumo da aula “Gestão Ambiental e Manejo de Dejetos I”, ministrada por Everton Rocha em 09/06/2025, como parte da pós-graduação em Produção de Suínos da PPG Educação.

              Adicione o texto do seu título aqui