A suinocultura brasileira vive um momento decisivo. À medida que o país consolida sua posição como um dos maiores produtores e exportadores de carne suína do mundo, cresce também a necessidade de fortalecer seus sistemas de biosseguridade — um pilar essencial para proteger a saúde animal, garantir competitividade e ampliar a abertura de novos mercados internacionais.
Nos últimos anos, observamos que a avicultura avançou significativamente na implementação de protocolos sanitários rígidos, servindo como referência para outros segmentos. Agora, a suinocultura acelera para acompanhar esse mesmo nível de exigência.
E Santa Catarina, líder nacional em produção de suínos, acaba de dar mais um passo importante nessa direção.
Santa Catarina sai na frente com a Portaria SAPE nº 50/2025
Entrou em vigor no estado a Portaria SAPE nº 50/2025, que estabelece um conjunto de medidas mínimas obrigatórias de biosseguridade para granjas tecnificadas que produzem ou distribuem suínos destinados ao abate.
O objetivo é claro:
➡️ fortalecer a prevenção,
➡️ proteger o status sanitário de Santa Catarina
➡️ e manter a competitividade internacional do setor.
Santa Catarina é reconhecida globalmente por seu nível de controle sanitário e por ser livre de doenças como a Peste Suína Clássica. Isso faz com que mudanças regulatórias nesse estado tenham impacto direto em toda a cadeia produtiva do país.
Quais unidades produtivas serão impactadas?
A portaria abrange todas as unidades tecnificadas, incluindo:
- Granjas de ciclo completo
- Unidades produtoras de leitões desmamados
- Crechários
- Unidades de terminação
Ou seja, toda a cadeia de produção será diretamente impactada, fortalecendo um sistema integrado de prevenção.
Principais exigências da nova portaria
Entre os pontos mais importantes estão:
1. Controle rigoroso de entrada
- Monitoramento e identificação de visitantes
- Barreiras sanitárias
- Restrição de acesso não autorizado
2. Higienização e desinfecção de veículos
Veículos que transportam animais tornam-se um dos principais pontos críticos de contaminação. O novo padrão exige:
- Lavagem e desinfecção completa
- Registro das operações
- Acompanhamento e verificação técnica
3. Uso obrigatório de EPIs exclusivos
- Roupas e calçados exclusivos dentro das unidades
- Áreas adequadas para troca de vestimentas
- Redução de contaminação cruzada
4. Proteção de reservatórios de água
A água passa a ter atenção especial:
- Controle de acesso
- Proteção contra vetores
- Garantia de potabilidade e qualidade sanitária
5. Manejo correto de resíduos e dejetos
Um dos pilares da biosseguridade moderna:
- Armazenamento adequado
- Transporte seguro
- Tratamento e destinação final correta
6. Registro e rastreabilidade obrigatórios por 3 anos
Todas as ações de biosseguridade devem ser registradas e arquivadas por no mínimo 36 meses, ficando disponíveis para auditorias e inspeções oficiais.
Um reforço ao Programa Biosseguridade Animal SC
A portaria também atua como complemento ao Programa Biosseguridade Animal SC, lançado recentemente pelo Governo do Estado. Juntas, as iniciativas criam uma base sólida para:
- reduzir riscos de agentes patogênicos,
- elevar o padrão de produção,
- proteger o patrimônio sanitário,
- e atender às exigências dos mercados mais restritivos do mundo.
O que isso representa para o profissional da suinocultura?
O cenário deixa claro:
dominar biosseguridade deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico de atuação.
Veterinários, zootecnistas, técnicos e gestores precisam compreender profundamente:
- protocolos sanitários,
- barreiras de proteção,
- gestão de riscos,
- padrões de inspeção,
- e legislações emergentes.
A tendência é que outros estados adotem medidas semelhantes — e que auditorias internacionais se tornem cada vez mais criteriosas.
A Portaria SAPE nº 50/2025 marca um novo capítulo para a suinocultura brasileira.
Com padrões mais rígidos e alinhados às práticas globais, Santa Catarina reforça seu papel como referência em sanidade animal e impulsiona todo o setor a evoluir.
A biosseguridade é, definitivamente, o caminho para garantir produtividade, sustentabilidade e competitividade internacional nos próximos anos.
