O Brasil acaba de conquistar o posto de 3º maior exportador de carne suína do mundo, ultrapassando o Canadá em 2025. Com 5,55 milhões de toneladas produzidas e 1,49 milhão de toneladas exportadas, o país segue consolidando sua posição em um cenário global favorável — mas que também exige atenção redobrada de quem está na linha de frente da produção.
Para médicos veterinários, zootecnistas e produtores que atuam no dia a dia da suinocultura, esse crescimento não é apenas uma boa notícia. É também um alerta: quanto maior a relevância do Brasil no mercado global, maior o custo de qualquer falha sanitária, produtiva ou regulatória.
1. Biosseguridade: a ameaça mais cara que o setor pode enfrentar
A Peste Suína Africana (PSA) circula na Europa, na Ásia e já chegou à América do Sul. Sem vacina disponível, mortalidade de até 100% e altíssima capacidade de disseminação, um surto em território brasileiro causaria um prejuízo estimado em mais de US$ 5,5 bilhões apenas nas zonas livres — segundo levantamento da Embrapa Suínos e Aves.
O javali segue como o principal vetor de risco interno. A proliferação desses animais nas bordas das granjas comerciais é uma ameaça real e monitorada pela ABCS. Paralelamente, a influenza aviária — que já registrou caso isolado no sul do Brasil em 2025 — reforça a necessidade de protocolos rigorosos mesmo fora da suinocultura direta.
Para o profissional de campo, biosseguridade não é protocolo burocrático. É o que mantém o status sanitário que permite ao Brasil exportar para mais de 100 mercados.
2. Rastreabilidade e bem-estar animal: o novo passaporte da carne brasileira
As Filipinas, o Japão e a Coreia do Sul respondem hoje por mais de 35% das exportações brasileiras de carne suína. São mercados exigentes, que demandam rastreabilidade completa, produção livre de antibióticos e conformidade com protocolos internacionais de bem-estar animal.
A tendência é de aperto crescente nessas exigências. O mercado consumidor global — especialmente na Ásia e na Europa — está cada vez mais atento à origem, ao manejo e às condições de criação dos animais. Isso coloca o médico veterinário e o zootecnista no centro da cadeia de valor: são eles que garantem, na prática, o cumprimento das normas que mantêm o Brasil competitivo lá fora.
Adequação às exigências internacionais deixou de ser diferencial competitivo. Virou requisito de acesso.
3. Eficiência produtiva: margens boas hoje não garantem competitividade amanhã
Com produção prevista de 5,7 milhões de toneladas e exportações projetadas para crescer 5% em 2026, o setor vive um dos melhores momentos de sua história. Mas o produtor que não monitorar custos, genética, nutrição e sanidade respiratória hoje pode ficar para trás no próximo ciclo.
O Mycoplasma hyopneumoniae, agente primário do complexo respiratório suíno, segue como o desafio sanitário que mais impacta a produtividade nacional — segundo especialistas da Unesp. A pergunta que se coloca no campo é direta: os protocolos vacinais vigentes ainda respondem ao nível de desafio atual?
Além disso, o comportamento do câmbio e a evolução dos custos de grãos no segundo semestre de 2026 serão determinantes. Gestão, eficiência e governança são os fatores que separam as granjas que crescem das que apenas sobrevivem ao ciclo.
O que o profissional do setor precisa fazer agora
→ Revisar e atualizar protocolos de biosseguridade — antes de um surto, não depois.
→ Conhecer as exigências sanitárias dos principais mercados compradores do Brasil.
→ Monitorar indicadores de eficiência por lote: margem positiva hoje pode esconder ineficiência cara amanhã.
O Brasil está no topo. Manter esse posto depende do trabalho técnico e diário de cada granja.
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