No dia a dia de um frigorífico, cada detalhe do processo impacta o resultado final. Um dos pontos mais críticos – e muitas vezes subestimado – é o atordoamento elétrico (eletronarcose). Essencial para o bem-estar animal, esse procedimento é também um pilar fundamental para garantir a qualidade da carcaça.
Quando os equipamentos estão descalibrados e falham em aplicar a voltagem, amperagem (corrente) ou frequência corretas, o prejuízo é imediato. E não estamos falando apenas de problemas de bem-estar: estamos falando de perdas econômicas diretas.
Tanto o excesso quanto a falta de energia são prejudiciais. Parâmetros muito baixos não insensibilizam o animal, causando estresse, dor e agitação. Parâmetros muito altos causam convulsões violentas, quebrando ossos e rompendo vasos sanguíneos.
Vamos ver como isso afeta aves e suínos na prática.
As Perdas no Abate de Aves (Frangos)
No abate de frangos, um atordoamento inadequado gera defeitos visíveis que depreciam o produto:
- Sangria Inadequada (Sanguinolência): Se a corrente é insuficiente, a ave não fica totalmente inconsciente. Ela se debate durante a sangria, dificultando a drenagem do sangue. O resultado é uma carne manchada, com menor vida de prateleira e rejeitada por mercados exigentes.
- Fraturas e Lesões: Voltagem excessiva causa convulsões tão fortes que podem fraturar asas e clavículas. Por outro lado, voltagem baixa faz com que a ave se debata conscientemente, também causando fraturas e luxações.
- Hemorragias e Hematomas: O desajuste elétrico rompe capilares, causando as famosas “pontas de asa avermelhadas” ou manchas de sangue no músculo do peito.
Em resumo, cada filé com hematoma ou asa quebrada significa perda de rendimento e desvalorização dos cortes.
As Perdas no Abate de Suínos
Nos suínos, as falhas elétricas têm um impacto severo tanto na qualidade da carne quanto na integridade da carcaça:
- Estresse e Carne PSE: Um choque insuficiente ou aplicado de forma hesitante causa estresse agudo. Esse estresse libera hormônios que aceleram a queda do pH da carne, resultando na temida carne PSE (Pálida, Mole e Exsudativa). Essa carne perde água, tem qualidade inferior e baixo valor comercial.
- Hematomas (“Blood Splash”): Voltagem ou corrente muito alta provoca picos de pressão sanguínea e convulsões extremas. Isso causa o “blood splash” – pequenas hemorragias disseminadas na musculatura. Cortes nobres, como lombo ou pernil, ficam com pontos de sangue e são depreciados.
- Fraturas: Assim como nas aves, o excesso de contração muscular pode causar fraturas graves, especialmente na coluna (vértebras). Estudos da Embrapa já apontaram essas fraturas como uma das principais causas de condenação total de carcaças suínas.
Como Evitar as Perdas: O Caminho das Boas Práticas
Prevenir esses prejuízos não é um mistério, mas exige controle de processo rigoroso. A solução passa por garantir que o equipamento esteja fazendo exatamente o que deveria:
- Monitoramento Constante: É fundamental ter instrumentos visíveis na linha (voltímetro, amperímetro, frequencímetro) para verificar se os parâmetros estão corretos em tempo real.
- Calibração Periódica: Equipamentos de atordoamento devem ter um plano de manutenção e calibração regular. Confiar em um equipamento descalibrado é o mesmo que operar às cegas.
- Treinamento da Equipe: Os operadores precisam ser treinados para garantir a correta aplicação (no caso de suínos, o contato firme dos eletrodos) e o tempo exato de exposição.
- Ajuste Fino: O processo deve ser ajustado ao lote. Em aves, por exemplo, a altura da cuba de água deve ser regulada conforme o tamanho dos frangos para garantir o contato ideal.
As falhas no atordoamento são apenas um dos muitos pontos críticos que decidem o lucro ou o prejuízo na indústria de carnes.
Problemas como carne PSE, sanguinolência, hematomas e condenações de carcaça não são apenas falhas operacionais – são sintomas de um controle de qualidade e segurança que precisa de aprimoramento.
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