A hepatopatia em animais jovens representa um dos maiores desafios clínicos da medicina veterinária contemporânea — e a nutrição é o pilar central do tratamento.
O desvio porto-sistêmico (shunt) é uma malformação vascular congênita em que o sangue contorna o fígado sem ser processado, resultando em circulação sistêmica rica em amônia e compostos que, em condições normais, seriam metabolizados pelo tecido hepático.
PROTEÍNA: QUANTIDADE OU QUALIDADE?
A crença mais difundida é que esses pacientes precisam de dietas com baixo teor proteico. Mas essa premissa está sendo questionada.
A qualidade da proteína — representada pela digestibilidade, fonte proteica e perfil de purinas — impacta diretamente a carga de amônia gerada no cólon. Uma proteína de alta digestibilidade é absorvida com eficiência, deixando menos resíduo para fermentação bacteriana.
Além disso, a restrição proteica indiscriminada em pacientes já em estado catabólico — com caquexia, hipoalbuminemia e perda de massa muscular — pode agravar significativamente o quadro clínico.
O QUE A PESQUISA DA FMVZ/USP ESTÁ MOSTRANDO
Fernanda Yamamoto, mestranda pela FMVZ/USP, está testando uma dieta com teor proteico adequado para filhotes com shunt porto-sistêmico. Os resultados preliminares indicam estabilização clínica sem exacerbação da encefalopatia hepática na maioria dos animais.
LIPIDOSE HEPÁTICA EM GATOS
Em felinos, qualquer período prolongado de anorexia pode desencadear lipidose hepática. O tratamento é exclusivamente nutricional: reestabelecer a ingestão calórica, por via oral ou por sondas enterais.
Ouça o episódio completo do Pet Food Podcast com Fernanda Yamamoto nas principais plataformas de áudio e vídeo.
